O que fazer em Palermo: o guia completo
Palermo se organiza a partir de um cruzamento: os Quattro Canti, onde as duas ruas principais do traçado espanhol do século XVI se encontram, dividindo o centro histórico em quatro bairros — Albergheria, Capo, Vucciria e Kalsa. Cada um tem seu mercado e seu caráter. As atrações do período normando ficam a oeste, na direção do Palácio dos Normandos; o centro barroco e os mercados ficam entre os Canti e o mar.
Um dia inteiro deve ser reservado para Monreale, fora da cidade — e ele é o dia mais importante.
O circuito árabe-normando
Sete monumentos de Palermo, Monreale e Cefalù formam um sítio da Unesco, reconhecido por documentar uma síntese cultural que não se repetiu: reis normandos católicos empregando arquitetos árabes e mosaicistas bizantinos.
Palácio dos Normandos e a Capela Palatina
O palácio real, hoje sede do parlamento regional siciliano, é o edifício mais antigo do gênero ainda em uso na Europa. Dentro dele está a Capela Palatina, consagrada em 1140 — e ela é, para muita gente, o interior mais bonito da Itália.
A combinação é única: mosaicos bizantinos dourados nas paredes, arcos ogivais árabes e um teto de mocárabe — as estalactites de madeira entalhada da arquitetura islâmica — pintado por artesãos fatímidas com cenas de corte, incluindo pessoas bebendo vinho e tocando música, dentro de uma capela católica. Nenhum outro lugar do mundo tem isso.
A Capela fecha ao público em dias de sessão parlamentar; verifique antes.
Catedral de Palermo
Um catálogo de estilos empilhados ao longo de setecentos anos: fundada em 1185 sobre uma mesquita que fora antes uma basílica, com fachada gótico-catalã, torres normandas e uma cúpula neoclássica do século XVIII. Numa das colunas do pórtico há ainda uma inscrição do Corão, remanescente da mesquita.
Dentro estão os túmulos reais, incluindo o de Frederico II, o imperador que governou dali um reino que ia da Alemanha à Sicília. Subir aos telhados dá a melhor vista do centro histórico.
San Giovanni degli Eremiti
Uma igreja do século XII com cinco cúpulas vermelhas de aparência inteiramente árabe, num claustro tomado por citros e buganvílias. É a imagem que resume a Palermo normanda.
La Martorana e San Cataldo
Duas igrejas lado a lado na Piazza Bellini: a Martorana, do século XII, com mosaicos bizantinos de qualidade extraordinária e um mosaico do rei Rogério II sendo coroado por Cristo; e San Cataldo, com três cúpulas vermelhas e um interior nu de pedra.
Monreale
A oito quilômetros, alcançável de ônibus. A catedral de Monreale, de 1174, tem 6.500 metros quadrados de mosaico dourado cobrindo praticamente todo o interior — o maior conjunto de mosaicos bizantinos do mundo depois de Santa Sofia. O Cristo Pantocrator do ábside tem quase vinte metros de largura.
Ao lado, o claustro com 228 colunas geminadas, cada par com capitéis diferentes, e uma fonte de estilo árabe no canto.
Se você só puder fazer uma coisa na Sicília, faça Monreale.
Os mercados
Quatro mercados de rua históricos, herdeiros dos *suq* árabes, ainda funcionando com pregão cantado (a *abbanniata*):
- Ballarò — o maior e o mais popular, no bairro Albergheria. O mais vivo de manhã.
- Capo — o mais cênico, com toldos cobrindo ruas estreitas.
- Vucciria — muito reduzido de dia, e à noite vira um ponto de bares ao ar livre.
- Borgo Vecchio — o mais local, ativo à noite.
São o melhor lugar para comer em Palermo.
Fora do óbvio
- Catacumbas dos Capuchinhos. Oito mil corpos mumificados, muitos ainda vestidos, expostos em pé ao longo de corredores subterrâneos, do século XVI ao XX — incluindo Rosalia Lombardo, uma menina de dois anos morta em 1920, cujo corpo está tão bem preservado que parece dormir. É perturbador e é uma das visitas mais impressionantes da Itália.
- Teatro Massimo. A maior casa de ópera da Itália e a terceira da Europa, com visitas guiadas. A escadaria é o cenário da cena final de *O Poderoso Chefão III*.
- Oratórios de Serpotta. Giacomo Serpotta cobriu vários oratórios do centro com esculturas de estuque branco do início do século XVIII — figuras, cortinas, putti — de uma delicadeza que não se espera. O de Santa Cita e o de San Lorenzo são os melhores. Quase vazios.
- Mondello. A praia de Palermo, a onze quilômetros, com areia clara, água turquesa e uma arquitetura *liberty* do início do século XX.
- Villa Palagonia, em Bagheria: a "vila dos monstros", com estátuas grotescas do século XVIII que fascinaram Goethe.
- Museu Arqueológico Salinas e as métopas de Selinunte.
A comida que define a cidade
A comida de rua palermitana é considerada uma das melhores do mundo: panelle (bolinhos de farinha de grão-de-bico fritos), arancine, sfincione (a pizza espessa siciliana), crocchè e o pane ca' meusa — o sanduíche de baço de vitela fervido em banha, que é o teste definitivo de coragem gastronômica. Detalhes em onde comer em Palermo.
Dicas práticas
- Verifique a Capela Palatina — ela fecha em dias de sessão parlamentar.
- Monreale merece um período inteiro, não uma passagem rápida.
- Ombros e joelhos cobertos nas igrejas, aplicado com rigor.
- Vá aos mercados de manhã, entre 8h e 12h, quando eles estão vivos.
- Para montar os dias, veja o roteiro de 3 dias e o guia da Itália.
Perguntas frequentes
O que não pode faltar em Palermo?
A Capela Palatina, a catedral de Monreale e um mercado de manhã. Se houver um quarto item, as Catacumbas dos Capuchinhos — que ninguém esquece.
Precisa reservar ingresso em Palermo?
Raramente. A Capela Palatina e o Teatro Massimo trabalham com horários e vale checar; o resto se resolve na hora, mesmo em alta temporada.
Quantos dias para ver o essencial?
Dois dias na cidade e um em Monreale. Palermo tem mais coisa do que parece e recompensa quem fica. Veja o guia de Palermo.