Onde comer em Matera: dos clássicos aos bairros locais
A cozinha da Basilicata é a cucina povera no estado mais puro: uma região montanhosa, pobre e isolada, onde se cozinhava com pão velho, farinha, legumes secos e a carne que aparecesse. O resultado envelheceu bem, porque foi construído com técnica em vez de fartura — e porque os ingredientes são notáveis. Matera tem dois produtos com denominação de origem que são a base de tudo: o pane di Matera e o peperone di Senise, o pimentão que vira *cruschi*.
Os preços são baixos, mesmo com a transformação da cidade em destino internacional.
Pratos típicos a provar
- Pane di Matera — pão de sêmola de trigo duro, fermento natural e forma de corno, com até um quilo e meio, crosta escura e miolo amarelo. Dura mais de uma semana, o que era a razão de existir: as famílias assavam uma vez por semana no forno comunitário, marcando o pão com um carimbo de família. Tem denominação de origem protegida.
- Peperoni cruschi — os pimentões doces de Senise, secos ao sol em cordões e depois fritos por segundos até ficarem crocantes como uma folha. Comem-se como petisco, esfarelados sobre a massa ou com bacalhau. É o sabor mais característico da Basilicata.
- Cavatelli — a massa curta feita à mão, com a ponta do dedo, servida com cruschi, ragù ou feijão.
- Orecchiette — também comuns, herança da Puglia vizinha.
- Cialledda — salada fria de pão velho, tomate, cebola e azeite. Comida de camponês, e excelente no verão.
- Crapiata — sopa de todos os legumes secos da despensa, cozidos juntos; era o prato do fim da colheita, feito em comunidade em 1º de agosto.
- Pezzente — o embutido "mendigo", feito com as partes que sobravam do porco, temperado com pimenta e erva-doce.
- Caciocavallo podolico — o queijo de vaca podólica, curado, um dos mais raros e mais caros da Itália.
- Amaro Lucano — o licor de ervas da região, servido gelado depois do jantar.
Onde comer por faixa
Econômico
As padarias dos Sassi vendem pão, focaccia e pizza em pedaço por poucos euros — e o pão de Matera com azeite e cruschi já é uma refeição. As *rosticcerie* da cidade alta servem pratos completos por menos de €12.
Médio
Trattoria nos Sassi ou na cidade alta com cavatelli e cruschi: €22 a €38 por pessoa com vinho. Matera continua barata nessa faixa apesar da fama.
Especial
Matera tem uma cena de cozinha lucana contemporânea que cresceu muito depois de 2019, com restaurantes dentro de grutas restauradas: €50 a €100. Reserva recomendada.
Onde comer, por área
- Sasso Barisano — a maior concentração de restaurantes, muitos dentro de grutas, com o cenário como parte da conta.
- Sasso Caveoso — menos opções e mais autênticas.
- Cidade alta (Piano) — onde os materanos comem: trattorias de bairro na Via Ridola e ao redor da Piazza Vittorio Veneto, com preços sensivelmente menores.
- O que evitar: os restaurantes com mesas nas varandas mais fotogênicas dos Sassi cobram bem mais pela vista; nem todos compensam.
> Um detalhe que vale conhecer: os fornos comunitários ainda existem em Matera, e alguns funcionam. Antes da evacuação dos anos 1950, cada família amassava o próprio pão em casa e o levava ao forno do bairro, marcado com um carimbo de madeira entalhado com as iniciais — é por isso que o pão de Matera tem aquela forma alta e o corte característico. Alguns fornos abrem para visita e vendem o pão saindo do forno de lenha.
Para saber por onde você vai passar, veja o roteiro de 2 dias e o que fazer em Matera.
Perguntas frequentes
Qual o prato típico de Matera?
Cavatelli com peperoni cruschi, e o pane di Matera com azeite. Para terminar, um Amaro Lucano gelado.
Onde comer bem e barato em Matera?
Na cidade alta, ao redor da Via Ridola e da Piazza Vittorio Veneto, onde os materanos comem — os preços são bem menores que os dos Sassi, e a comida costuma ser a mesma ou melhor.
Precisa reservar restaurante em Matera?
Nos restaurantes dentro de grutas e nas casas contemporâneas, sim, no fim de semana e em alta temporada. Nas trattorias da cidade alta, raramente. Veja o guia de Matera e o guia da Itália.