O que fazer em Matera: o guia completo

Matera se organiza em três níveis, e entender isso resolve a visita. No alto, a cidade nova (o Piano), com as praças e o comércio. Abaixo dela, os dois Sassi — Sasso Barisano, mais restaurado, e Sasso Caveoso, mais rústico —, escavados nas duas encostas de um desfiladeiro. E no fundo, o rio Gravina, com o Parque da Murgia do outro lado, onde ficam as grutas e as igrejas rupestres mais antigas.

Tudo se faz a pé, e tudo é em escadaria. É a cidade italiana mais exigente fisicamente para o seu tamanho.

Os Sassi

Sasso Barisano

O mais restaurado dos dois, voltado para o norte, com casas convertidas em hotéis, restaurantes e ateliês. É onde a Matera contemporânea acontece, e a maior parte da hospedagem está aqui.

Sasso Caveoso

Voltado para o sul, mais íngreme e mais próximo do estado original — é aqui que se vê como os Sassi eram: grutas empilhadas, escadas cortadas na rocha, cisternas. Tem as igrejas rupestres mais importantes e as casas-museu.

Casa Grotta di Vico Solitario

A visita que explica tudo. Uma gruta reconstituída como era antes da evacuação dos anos 1950: um único cômodo com cerca de vinte metros quadrados onde vivia uma família inteira, com o cavalo, a galinha e o porco, a cama alta para deixar espaço para os animais embaixo, o berço pendurado e a cisterna escavada no chão. Custa pouco e é a visita mais importante de Matera — sem ela, os Sassi são só bonitos.

Palombaro Lungo

Uma cisterna gigantesca escavada sob a Piazza Vittorio Veneto, com quinze metros de altura, redescoberta nos anos 1990 durante uma obra. Faz parte de um sistema de captação e armazenamento de água que é o que tornou possível viver nove mil anos num lugar sem rio acessível.

As igrejas rupestres

Há mais de cem igrejas escavadas na rocha na região, muitas com afrescos bizantinos dos séculos IX ao XIII, feitas por monges gregos que fugiram da iconoclastia. As principais dentro da cidade:

A cidade alta

A catedral românica do século XIII, no ponto mais alto, com vista sobre os dois Sassi. A Piazza Vittorio Veneto e a Via Ridola, com o Museo Ridola (arqueologia) e o Palazzo Lanfranchi, que guarda a obra de Carlo Levi — o escritor exilado na Basilicata pelo fascismo, cujo livro *Cristo se deteve em Èboli* (1945) denunciou as condições dos Sassi e desencadeou a evacuação.

Fora do óbvio

A comida que define a cidade

A cozinha da Basilicata é pobre, camponesa e ótima: o pane di Matera, feito com sêmola de trigo duro e fermento natural, com denominação de origem e uma crosta que dura uma semana; os peperoni cruschi, pimentões doces secos ao sol e fritos rapidamente até ficarem crocantes; os cavatelli. Detalhes em onde comer em Matera.

Dicas práticas

Perguntas frequentes

O que não pode faltar em Matera?

A Casa Grotta di Vico Solitario, duas ou três igrejas rupestres, o Palombaro Lungo e a travessia até o Parque da Murgia para ver a cidade de frente. À noite, os Sassi iluminados.

Precisa reservar alguma coisa?

A Cripta del Peccato Originale, sim, com antecedência. As demais atrações se resolvem na hora, com bilhetes conjuntos para as igrejas rupestres.

Quantos dias para ver o essencial?

Um dia cheio cobre os dois Sassi e as igrejas. O segundo dia é para o Parque da Murgia e para a cidade alta. Veja o guia de Matera.