Roteiro de 2 dias em Matera (dia a dia)
Matera se organiza em três níveis — a cidade alta, os dois Sassi na encosta e o desfiladeiro no fundo — e o roteiro desce e sobe entre eles. É uma cidade exigente fisicamente: tudo é escadaria de pedra polida, com desníveis grandes e sem atalho. Calçado firme não é conselho, é requisito.
O princípio deste roteiro: a Casa Grotta primeiro. Sem ela, os Sassi são bonitos; com ela, fazem sentido.
Dia 1 — Os Sassi
Manhã. Comece pela Casa Grotta di Vico Solitario, no Sasso Caveoso: uma gruta reconstituída como era antes da evacuação dos anos 1950, com uma família inteira, o cavalo e o porco em vinte metros quadrados. Custa pouco e é a visita mais importante da cidade.
Em seguida, as igrejas rupestres do Caveoso: Santa Maria de Idris e San Giovanni in Monterrone, escavadas no esporão de rocha e ligadas por um túnel, e Santa Lucia alle Malve, com afrescos do século XIII. Há bilhete conjunto.
Meio-dia. Suba à cidade alta e almoce na Via Ridola — os preços ali são de bairro, não de Sassi.
Tarde. O Palombaro Lungo, a cisterna gigantesca escavada sob a Piazza Vittorio Veneto, com quinze metros de altura. Depois, a catedral românica no ponto mais alto, com a vista dos dois Sassi, e o Palazzo Lanfranchi, com a obra de Carlo Levi, cujo livro *Cristo se deteve em Èboli* denunciou as condições dos Sassi e desencadeou a evacuação.
Fim de tarde. Desça ao Sasso Barisano e caminhe sem plano enquanto a luz baixa.
Noite. A parte que justifica dormir aqui: os Sassi iluminados. Vistos de um mirante da cidade alta ou de uma varanda, são uma imagem que nenhuma foto diurna reproduz.
Dia 2 — O desfiladeiro e a Murgia
Manhã. A travessia do Gravina. Desce-se do Sasso Caveoso por uma escadaria até o rio, atravessa-se por uma ponte suspensa e sobe-se do outro lado, ao Parque da Murgia Materana. Lá estão grutas, igrejas rupestres e — o principal — a vista de Matera de frente, com a cidade inteira encaixada na encosta. É a foto que aparece nos livros e ela só existe deste lado.
A caminhada leva de duas a três horas ida e volta, com subida real. Quem prefere evitar a descida pode ir de carro ou táxi até o Belvedere di Murgia Timone, que tem a mesma vista.
Tarde. De volta, o Museo Ridola (arqueologia da Magna Grécia e da pré-história local) ou uma segunda volta pelos Sassi com o que sobrou.
Alternativa: a Cripta del Peccato Originale, a cerca de 14 km, chamada de "Capela Sistina da arte rupestre", com afrescos do século IX. Exige reserva com antecedência e carro ou traslado.
Variações
- Um dia só: Casa Grotta, duas igrejas rupestres, Palombaro Lungo e o Belvedere de carro ao anoitecer. Você perde a travessia do desfiladeiro.
- Com criança ou mobilidade reduzida: Matera é difícil. Fique na cidade alta e no Barisano, que é mais restaurado e menos íngreme, e vá ao Belvedere de carro em vez de descer o Gravina.
- Três dias: acrescente Altamura (a 20 minutos, com outro pão com denominação de origem e uma catedral fundada por Frederico II) ou Alberobello (a uma hora, com os *trulli*).
- Verão: faça a Murgia de manhã cedo ou ao fim da tarde. A pedra calcária irradia calor e não há sombra no desfiladeiro.
Logística
Tudo dentro da cidade se faz a pé, em escadaria. Matera não tem estação da rede ferroviária nacional: chega-se de ônibus a partir de Bari, Nápoles ou Roma, ou pelo trem regional privado das Ferrovie Appulo Lucane desde Bari (cerca de 1h30). Bari, com aeroporto, é a porta de entrada natural.
Detalhes em como se locomover em Matera e a escolha da hospedagem em onde se hospedar. Para o país, o guia da Itália.
Perguntas frequentes
Quantos dias bastam em Matera?
Dois dias e uma noite. A noite é inegociável: os Sassi iluminados são metade da experiência.
Dá para fazer Matera como bate-volta de Bari?
Dá — cerca de 1h15 de ônibus —, e você perde a melhor parte, que é a cidade à noite. Se for a única opção, chegue cedo e volte no último ônibus.
Qual a melhor ordem?
Casa Grotta primeiro, sempre. Depois as igrejas rupestres, o Palombaro e a cidade alta. A travessia da Murgia no segundo dia, de manhã.