Cidades da Itália fora do circuito turístico

O circuito clássico italiano é clássico por bons motivos, mas ele tem um efeito colateral: concentra quase todo mundo nos mesmos seis lugares, nos mesmos três meses. As cidades desta página não são consolações. São lugares com material de primeira linha — mosaicos que não existem em nenhum outro lugar, uma capela que muda a história da pintura ocidental, uma cidade velha que virou o coração de uma região inteira — e que recebem uma fração dos visitantes porque não estão no roteiro que todo mundo copia.

Todas ficam em linha de trem e nenhuma exige carro. Isso importa: sair do circuito na Itália quase nunca significa complicar a logística, significa apenas escolher outra parada no mesmo eixo.

Ravena — os mosaicos que a Europa não tem

Entre os séculos V e VI, Ravena foi capital do Império Romano do Ocidente e depois do exarcado bizantino na Itália. O que sobrou dessa dupla função é o maior conjunto de mosaicos paleocristãos e bizantinos do mundo ocidental, distribuído por oito monumentos com selo da Unesco — o Mausoléu de Galla Placidia, San Vitale, Sant'Apollinare Nuovo. Não é "parecido com" nada em Veneza ou Roma: é a fonte de onde aquilo veio.

Por que vale: porque é insubstituível. Quem viu os mosaicos de Ravena entende o resto da arte bizantina europeia como derivação. Para quem: quem se interessa por arte e história e já cansou de Renascimento. Como chegar: trem direto de Bolonha em cerca de uma hora e vinte. Rende um bate-volta longo, mas uma noite é melhor. Veja o guia de Ravena.

Pádua — a capela que inventou a pintura moderna

A trinta minutos de trem de Veneza, Pádua tem a Capela dos Scrovegni, com o ciclo de afrescos que Giotto pintou por volta de 1305 — o momento em que a pintura ocidental descobre volume, emoção e espaço. A visita é rigorosamente controlada, em grupos pequenos e com sala de climatização antes da entrada, o que significa reserva obrigatória e com antecedência.

A cidade não se resume a isso: tem a segunda universidade mais antiga da Itália (1222), com o teatro anatômico onde se ensinou a dissecar, a Basílica de Santo Antônio — sim, o Santo Antônio de Lisboa, que morreu em Pádua — e a Prato della Valle, uma das maiores praças da Europa.

Por que vale: é a alternativa óbvia a se hospedar em Veneza, com preço bem menor, e tem uma obra de importância mundial. Para quem: quem quer Veneza sem pagar Veneza, e quem gosta de arte. Como chegar: trem regional de Veneza em meia hora, ou de Bolonha em uma hora. Veja o guia de Pádua.

Bari — a porta da Puglia

Bari passou anos com fama ruim e mudou. A Bari Vecchia, o centro histórico de ruas brancas e labirínticas, foi recuperada e hoje é onde se vê as senhoras fazendo orecchiette na porta de casa na Strada delle Orecchiette — coisa que virou atração e continua sendo trabalho. A Basílica de São Nicolau guarda as relíquias do santo que virou Papai Noel, e é ponto de peregrinação ortodoxa.

Mais importante: Bari é a base lógica para a Puglia, a região que mais cresceu no interesse de viajantes na última década — Alberobello, Polignano a Mare, Matera a duas horas.

Por que vale: comida excepcional, preços bem abaixo do norte e uma região inteira ao redor. Para quem: quem já fez a Itália clássica e quer o sul. Como chegar: voo direto de Milão ou Roma, ou trem de Nápoles. Veja o guia de Bari.

Rímini — Fellini, mosaicos e a praia que os italianos usam

Rímini carrega o rótulo de balneário de massa e ele é meia verdade: a orla é longa, organizada e cheia em agosto. A outra metade é que a cidade tem um arco romano de 27 a.C., uma ponte de Tibério ainda em uso, o Tempio Malatestiano projetado por Alberti e o museu dedicado a Federico Fellini, que nasceu ali e transformou a cidade em cenário recorrente.

Por que vale: é a Itália de férias como os italianos a praticam, com custo baixo e patrimônio de verdade fora da praia. Para quem: famílias, quem viaja com orçamento apertado e quem gosta de cinema. Como chegar: trem de Bolonha em cerca de uma hora. Veja o guia de Rímini.

Como encaixar

As quatro cabem no mesmo eixo ferroviário do circuito clássico, sem desvio grande. Ravena e Rímini penduram-se em Bolonha; Pádua fica no meio do caminho entre Veneza e Bolonha; Bari é a única que pede voo ou uma perna longa de trem, e por isso funciona melhor como início de uma viagem ao sul, não como apêndice.

Para o contexto do país, veja o guia da Itália; para o circuito principal, as melhores cidades.

Perguntas frequentes

Vale a pena sair do circuito clássico na Itália?

Na primeira viagem, só se sobrar tempo — Roma, Florença e Veneza existem por bons motivos. Na segunda, quase obrigatoriamente: os preços caem, as filas desaparecem e a diferença entre visitar a Itália e conviver com ela aparece justamente nessas cidades.

É seguro visitar essas cidades?

Sim. Bari tinha fama ruim que hoje é desatualizada; o cuidado é o de qualquer cidade portuária — atenção com bolsa em estação e à noite em ruas vazias. Ravena, Pádua e Rímini são cidades tranquilas de porte médio.

Como chegar a esses lugares sem carro?

Todas por trem, sem exceção. Ravena e Rímini a partir de Bolonha, Pádua a partir de Veneza, e Bari por voo interno ou pela linha que sobe de Nápoles. Nenhuma exige aluguel de carro para ser visitada — o carro só passa a fazer sentido para explorar a Puglia ou a Romanha ao redor. Veja como se locomover na Itália.