Como se locomover na Itália: trem, ônibus, voos e carro

A Itália é um dos países mais fáceis da Europa para atravessar sem carro. A linha de alta velocidade que liga Turim–Milão–Bolonha–Florença–Roma–Nápoles–Salerno cobre a espinha dorsal do turismo com trens a cada meia hora, e nela o carro só atrasa. Fora desse eixo — Toscana rural, Puglia, Sicília, Sardenha, Dolomitas — a lógica se inverte e o carro passa a ser o que abre o destino.

Modais entre cidades

Trem de alta velocidade

Duas empresas concorrem nas mesmas linhas, o que é raro na Europa e bom para o passageiro: a estatal Trenitalia (Frecciarossa, Frecciargento) e a privada Italo. Preço é dinâmico, como passagem aérea — Roma–Florença leva cerca de uma hora e meia e sai a partir de cerca de €15 comprando com antecedência; Roma–Milão leva por volta de três horas e começa perto de €30. Na véspera, os mesmos trechos custam várias vezes isso.

Compre pelos sites ou aplicativos oficiais das duas empresas e compare — em geral há diferença. Os bilhetes de alta velocidade são nominais e com poltrona marcada, e não precisam de validação.

Trens regionais

Mais lentos, baratos e sem marcação de assento. São eles que levam a Pompeia, às Cinque Terre, a Siena e às cidades médias. Duas regras que evitam problema: o bilhete regional tem validade aberta e precisa ser validado na maquininha da plataforma antes de embarcar — a multa por embarcar sem validar é aplicada sem discussão —, e horário de trem regional é uma sugestão otimista, então não encaixe conexão apertada.

Ônibus intermunicipal

Flixbus e Itabus cobrem trechos longos por menos que o trem, com o custo do tempo. Fazem mais sentido no sul, onde a malha ferroviária é mais fraca, e para trechos que o trem não serve bem.

Voos internos

Só compensam em três casos: Sicília, Sardenha e Puglia a partir do norte. Milão–Palermo de avião leva pouco mais de uma hora contra mais de dez de trem. Fora disso, considerando deslocamento até o aeroporto e antecedência de embarque, o trem ganha até Roma–Milão.

Carro

Excelente para a Toscana rural, a Úmbria, a Puglia, a Sicília e as Dolomitas. Ruim para tudo que envolva centro histórico. Três cuidados obrigatórios:

Passes e bilhetes

O Interrail/Eurail raramente compensa dentro da Itália: como as passagens antecipadas de alta velocidade são baratas e o passe ainda exige reserva paga de assento nos Frecciarossa, a conta costuma dar contra. Ele só faz sentido em roteiros com muitos países e muitas pernas longas.

Dentro das cidades, os passes de 24, 48 ou 72 horas de transporte público compensam a partir de três a quatro viagens por dia. Alguns cartões turísticos municipais — Roma, Milão, Florença — juntam transporte e museus; valem a conta apenas se você for de fato usar as atrações incluídas, e não pela conveniência.

Dicas

Perguntas frequentes

Trem ou carro na Itália?

Trem para o circuito das cidades; carro para o campo. Se o roteiro for Roma–Florença–Veneza, alugar carro é pagar mais para chegar depois e ainda arriscar multa de ZTL. Se for Toscana rural, Puglia ou Sicília, o carro é o que torna a viagem possível.

Vale a pena o passe ferroviário?

Na maioria dos roteiros italianos, não. As passagens de alta velocidade compradas com um ou dois meses de antecedência são baratas, e o passe ainda cobra reserva de assento por cima. Faça a conta com os trechos reais antes de comprar.

Voos internos compensam?

Para Sicília, Sardenha e Puglia a partir do norte, sim, com folga. Entre cidades do eixo central, não: somando traslado e antecedência de embarque, o trem chega antes e deixa você no centro em vez da periferia. Veja o roteiro pela Itália e o guia da Itália.