O que fazer em Rímini: o guia completo
Rímini tem duas cidades separadas por três quarteirões e por uma linha de trem: a Marina, com quinze quilômetros de praia e a infraestrutura de balneário, e o centro histórico, que quase ninguém que vem pela praia visita. Elas ficam a dez minutos a pé uma da outra.
Este guia cobre as duas, começando pela que surpreende.
A Rímini romana
Rímini foi Ariminum, colônia romana fundada em 268 a.C. no ponto exato onde a Via Flamínia, vinda de Roma, encontrava a Via Emília, que subia para o norte. Era um nó do império, e os dois monumentos que marcam esse papel continuam de pé.
Arco de Augusto (27 a.C.)
O arco romano mais antigo que sobreviveu, erguido no ponto em que a Via Flamínia entrava na cidade. É um arco de passagem, não de triunfo: marcava o fim da estrada de Roma. As ameias no topo são medievais, acrescentadas quando ele virou parte da muralha.
Ponte de Tibério (14–21 d.C.)
Iniciada por Augusto e terminada por Tibério, com cinco arcos de pedra de Ístria. É de uma solidez tal que resistiu a duas mil anos de enchentes, a uma tentativa de demolição pelos godos e ao minamento pelos alemães em 1944 — e continua em uso, hoje para pedestres e ciclistas.
Ela marcava o início da Via Emília, e as duas pontas da cidade — arco e ponte — delimitam o eixo romano que ainda organiza o centro.
Domus del Chirurgo
Uma casa romana do século II descoberta em 1989, com mosaicos de piso e — o achado que dá nome ao lugar — o conjunto de instrumentos cirúrgicos mais completo que se conhece do mundo romano, mais de 150 peças de bronze e ferro pertencentes a um médico de origem grega. Está exposto no Museu da Cidade, ao lado.
O Tempio Malatestiano
A catedral de Rímini, e um dos edifícios mais estranhos do Renascimento. Sigismondo Pandolfo Malatesta, o senhor da cidade no século XV — condottiero, humanista e excomungado pelo papa Pio II, que o declarou em vida "canonizado no inferno" —, encomendou a Leon Battista Alberti a reconstrução da igreja gótica de San Francesco como um monumento à própria glória e ao amor por Isotta degli Atti.
O resultado é uma fachada de arco triunfal romano aplicada a uma igreja, com o interior cheio de emblemas pagãos, iniciais entrelaçadas de Sigismondo e Isotta, e alegorias astrológicas. Dentro há também um crucifixo de Giotto e um afresco de Piero della Francesca.
A obra ficou inacabada quando Sigismondo perdeu a guerra e o dinheiro. A fachada nunca foi terminada, e é possível ver onde ela para.
Fellini
Federico Fellini nasceu em Rímini em 1920 e transformou a cidade, a praia e a memória da própria infância em material recorrente — sobretudo em *Amarcord* (1973), cujo nome vem do dialeto romanholo para "eu me lembro".
O Fellini Museum, aberto em 2021, ocupa três espaços: o Castel Sismondo (o castelo dos Malatesta), o Palazzo del Fulgor (o cinema de infância dele, reconstruído) e a praça entre os dois. Não é um museu biográfico convencional: é uma encenação, com salas imersivas, projeções e objetos, pensada para reproduzir o funcionamento da imaginação felliniana. É um dos museus mais bem-feitos da Itália no gênero.
A praia
Quinze quilômetros de areia, organizados em bagni — concessões numeradas, cada uma com sua fileira de guarda-sóis, cadeiras, bar, chuveiro e às vezes piscina. Aluga-se por dia ou por temporada. É o modelo de praia italiano levado ao extremo, e há sempre faixas de praia livre entre as concessões.
A infraestrutura é boa e voltada para famílias: água rasa por dezenas de metros, animação para crianças, ciclovia ao longo de toda a orla. Não é uma praia bonita no sentido de Sardenha ou Puglia — é uma praia funcional e organizada.
O Parco del Mare, uma requalificação recente, transformou parte da avenida beira-mar num parque linear com ciclovias e áreas verdes.
Fora do óbvio
- San Marino. A república independente mais antiga do mundo, fundada segundo a tradição em 301, a 25 km e a menos de uma hora de ônibus. Uma cidade murada no alto de um monte, com três torres nos picos e uma vista que alcança a costa inteira. É um país estrangeiro que se visita em meio dia.
- Santarcangelo di Romagna — a 10 minutos de trem: uma vila medieval em colina, com grutas escavadas no tufo sob as casas, um festival de teatro de rua em julho e a melhor comida da região.
- Urbino — a uma hora e meia: a cidade renascentista de Federico da Montefeltro, com o Palácio Ducal e a *Flagelação* de Piero della Francesca. Patrimônio da Unesco e um dos lugares mais bonitos da Itália.
- Gradara — a 30 minutos: o castelo onde a tradição situa o amor de Paolo e Francesca, que Dante colocou no Inferno.
- Ravena — a uma hora, com os mosaicos bizantinos.
- Italia in Miniatura e os parques temáticos — Rímini é o polo de parques da Itália, útil com crianças.
A comida que define a cidade
A Romanha come piadina — e a de Rímini é a mais fina e mais crocante das variantes regionais — e o peixe azul do Adriático, grelhado nas *marinerie*. Detalhes em onde comer em Rímini.
Dicas práticas
- Reserve uma manhã para o centro histórico, mesmo se você vier pela praia. São dez minutos a pé da Marina.
- O Fellini Museum tem três sedes; o bilhete é único.
- San Marino é meio dia e vale, sobretudo pela vista.
- Na praia, há faixas livres entre as concessões, por lei.
- Para montar os dias, veja o roteiro de 2 dias e o guia da Itália.
Perguntas frequentes
O que não pode faltar em Rímini?
O Arco de Augusto e a Ponte de Tibério, o Tempio Malatestiano de Alberti e o Fellini Museum. Se houver um segundo dia, San Marino.
Precisa reservar alguma coisa?
Não, com exceção de hospedagem em agosto, que esgota. As atrações se resolvem na hora.
Quantos dias para ver o essencial?
Um dia para o centro histórico. Dois com San Marino. Mais que isso, só se a praia ou os bate-voltas pela Romanha entrarem. Veja o guia de Rímini.