O que fazer em Ravena: o guia completo

Ravena é pequena, plana e cabe num dia — e a visita é essencialmente uma: os oito monumentos paleocristãos e bizantinos tombados pela Unesco em 1996. Sete deles ficam no centro histórico, a poucos minutos a pé uns dos outros; o oitavo, Sant'Apollinare in Classe, fica a 8 km e se alcança por ônibus ou trem regional.

A ordem importa: os mosaicos vão do século V ao VI e o estilo muda visivelmente ao longo desse século, do naturalismo tardo-romano ao hieratismo bizantino. Vendo-os em ordem cronológica, você vê a transformação acontecer.

Os oito monumentos da Unesco

Mausoléu de Galla Placidia (c. 425–450)

O mais antigo e, para muita gente, o mais bonito. Um edifício pequeno em cruz, de tijolo nu por fora — o que só aumenta o efeito de entrar e encontrar o interior inteiramente coberto de mosaico.

A abóbada central é um céu noturno azul-profundo com centenas de estrelas douradas convergindo para uma cruz. É a imagem mais reproduzida de Ravena, e Cole Porter, que passou a lua de mel na cidade em 1919, teria se inspirado nela para *Night and Day*.

O espaço é minúsculo e a visita é limitada em número de pessoas e tempo — em alta temporada há taxa adicional de reserva e entrada cronometrada.

Basílica de San Vitale (c. 547)

A obra-prima do conjunto. Uma igreja octogonal de planta bizantina, com o presbitério coberto por mosaicos de uma qualidade que não tem paralelo no Ocidente.

Os dois painéis laterais são os mais famosos: o imperador Justiniano com sua corte de um lado, e a imperatriz Teodora com a dela do outro, ambos oferecendo os vasos da eucaristia — nenhum dos dois jamais pôs os pés em Ravena. São retratos de propaganda imperial, feitos para lembrar quem mandava, e são os retratos mais vívidos que sobreviveram da corte bizantina.

Galla Placidia e San Vitale ficam no mesmo recinto, com bilhete único.

Basílica de Sant'Apollinare Nuovo (c. 505, com mosaicos até 561)

Construída por Teodorico, o rei ostrogodo, como igreja ariana palatina, e reconsagrada depois da reconquista bizantina. As paredes da nave têm duas longas procissões em mosaico — vinte e duas virgens de um lado, vinte e seis mártires do outro — caminhando em direção ao altar sobre fundo dourado.

E há um detalhe extraordinário: quando os bizantinos reconsagraram a igreja, apagaram as figuras da corte de Teodorico dos mosaicos do palácio, substituindo-as por cortinas. Mas o trabalho foi apressado, e em algumas colunas ainda se veem mãos que sobraram das figuras removidas. É censura política do século VI visível a olho nu.

Batistério Neoniano (Batistério dos Ortodoxos, séc. V)

Uma cúpula com o batismo de Cristo no centro e os doze apóstolos em procissão circular ao redor. Um dos mosaicos mais antigos e mais bem conservados da cidade.

Batistério dos Arianos (c. 500)

Menor, construído por Teodorico para o culto ariano, com a mesma iconografia tratada de outra forma. Comparar os dois batistérios é ver duas teologias em imagem.

Capela Arcebispal (c. 500)

Uma capela privada minúscula, com um Cristo guerreiro pisando o leão e a serpente — uma imagem rara. Está dentro do Museu Arcebispal, que guarda também o Trono de Maximiano, uma cadeira episcopal do século VI inteiramente esculpida em marfim.

Mausoléu de Teodorico (c. 520)

Fora do circuito dos mosaicos, a norte do centro: um túmulo de dois andares em pedra de Ístria, coberto por um monólito de 300 toneladas trazido inteiro pelo mar — uma proeza de engenharia que ninguém explicou completamente até hoje. Não tem mosaicos; tem escala e mistério.

Basílica de Sant'Apollinare in Classe (549)

A 8 km, no antigo porto romano de Classe — que hoje fica a vários quilômetros do mar, porque a linha da costa recuou com o assoreamento. É a maior das basílicas, com uma nave de colunas de mármore e um ábside com um dos mosaicos mais serenos que existem: um campo verde com árvores, pássaros e doze ovelhas, sob uma cruz estrelada.

Vale o deslocamento.

O túmulo de Dante

Dante Alighieri foi exilado de Florença, escreveu boa parte da *Divina Comédia* em Ravena e morreu aqui em 1321. Está enterrado num pequeno templo neoclássico ao lado da igreja de San Francesco.

Florença passou séculos tentando reaver os ossos e nunca conseguiu — a cidade que o exilou e o condenou à morte à revelia. Como penitência simbólica, Florença envia todo ano o azeite que alimenta a lâmpada votiva do túmulo, numa cerimônia em setembro.

A zona de silêncio ao redor do túmulo é oficial e sinalizada.

Fora do óbvio

A comida que define a cidade

Ravena está na Romanha, e a cozinha é a mesma raiz da de Bolonha com um produto próprio: a piadina romagnola, o pão chato de banha e farinha assado na chapa, recheado de presunto, queijo *squacquerone* e rúcula. Detalhes em onde comer em Ravena.

Dicas práticas

Perguntas frequentes

O que não pode faltar em Ravena?

San Vitale com os painéis de Justiniano e Teodora, o Mausoléu de Galla Placidia com o céu estrelado, e Sant'Apollinare in Classe, fora da cidade. Os três, na prática, são a viagem.

Precisa reservar ingresso em Ravena?

O Mausoléu de Galla Placidia tem taxa de reserva e horário marcado em alta temporada, com tempo limitado dentro. O resto se resolve na hora com o bilhete cumulativo.

Quantos dias para ver o essencial?

Um dia cheio cobre os monumentos do centro. Duas noites se você quiser Classe e a cidade sem os bate-voltas. Veja o guia de Ravena.