Roteiro de 1 dia em Ravena (dia a dia)

Ravena é plana, pequena e concentrada: sete dos oito monumentos da Unesco ficam no centro histórico, a poucos minutos a pé uns dos outros. Um dia cheio cobre tudo — e a ordem faz diferença, porque os mosaicos vão do século V ao VI e o estilo muda visivelmente ao longo desse século.

Este roteiro segue a ordem cronológica, para que você veja a transformação acontecer.

Manhã — os primeiros mosaicos

Compre o bilhete cumulativo logo na chegada: ele cobre San Vitale, Galla Placidia, Sant'Apollinare Nuovo, o Batistério Neoniano e a Capela Arcebispal, e custa muito menos que os avulsos.

Comece pelo Mausoléu de Galla Placidia (c. 425–450), o mais antigo. Por fora é um edifício pequeno de tijolo nu; por dentro, uma abóbada com um céu noturno azul-profundo de centenas de estrelas douradas. O espaço é minúsculo, a visita é limitada em número de pessoas e, em alta temporada, tem taxa adicional e horário marcado, com tempo cronometrado dentro. Vá cedo.

Em seguida, no mesmo recinto, a Basílica de San Vitale (c. 547): a obra-prima do conjunto, com os painéis de Justiniano e Teodora com suas cortes, os retratos mais vívidos que sobreviveram da corte bizantina — e nenhum dos dois jamais esteve em Ravena.

Depois, o Batistério Neoniano (séc. V), com o batismo de Cristo na cúpula e os doze apóstolos em procissão circular.

Meio-dia

Almoce uma piadina num quiosque ou numa osteria do centro, com vinho a jarra.

Passe pela Piazza del Popolo, a praça veneziana da cidade, e pelo Mercato Coperto.

Tarde — Teodorico e a censura bizantina

Basílica de Sant'Apollinare Nuovo (c. 505): construída por Teodorico, o rei ostrogodo, com as duas longas procissões de virgens e mártires sobre fundo dourado.

Procure o detalhe: quando os bizantinos reconsagraram a igreja depois da reconquista, apagaram as figuras da corte de Teodorico dos mosaicos do palácio e as substituíram por cortinas — mas o trabalho foi apressado, e em algumas colunas ainda se veem mãos que sobraram. É censura política do século VI visível a olho nu.

Batistério dos Arianos (c. 500), a poucos minutos: menor, com a mesma iconografia tratada de outra forma. Comparar os dois batistérios é ver duas teologias em imagem.

Capela Arcebispal e o Museu Arcebispal, com o Trono de Maximiano, uma cadeira episcopal do século VI inteiramente esculpida em marfim.

Túmulo de Dante, ali perto: o poeta foi exilado de Florença, escreveu parte da *Divina Comédia* aqui e morreu em 1321. Florença nunca conseguiu reaver os ossos, e envia todo ano o azeite da lâmpada votiva. A zona de silêncio ao redor é oficial.

Fim de tarde — Classe

Basílica de Sant'Apollinare in Classe (549), a 8 km, no antigo porto romano — que hoje fica longe do mar, porque a costa recuou. Ônibus ou trem regional, poucos minutos.

É a maior das basílicas, com uma nave de colunas de mármore e um ábside com um dos mosaicos mais serenos que existem: um campo verde com árvores, pássaros e doze ovelhas, sob uma cruz estrelada. Vale o deslocamento, e a luz do fim da tarde ajuda.

Se você tiver duas noites

Variações

Logística

A cidade é plana e tudo no centro se faz a pé. Da estação à Piazza del Popolo são dez minutos. Classe se alcança de ônibus ou trem regional em poucos minutos.

Detalhes em como se locomover em Ravena e a escolha do bairro em onde se hospedar. Para o país, o guia da Itália.

Perguntas frequentes

Quantas horas bastam em Ravena?

Um dia cheio para os oito monumentos, incluindo Classe. Meio dia para os três principais.

Dá para fazer Ravena como bate-volta?

Dá, e é o mais comum: cerca de 1h20 de trem de Bolonha, 1h de Rímini e 2h30 de Veneza ou Florença. Uma noite, porém, permite ver a cidade sem excursões.

Qual a melhor ordem dos mosaicos?

A cronológica: Galla Placidia (séc. V), Batistério Neoniano (séc. V), San Vitale (547), Sant'Apollinare Nuovo (505, com mosaicos até 561) e Classe (549). Assim você vê o estilo mudar do naturalismo tardo-romano ao hieratismo bizantino.