O que fazer em Lucca: o guia completo
Lucca cabe dentro de quatro quilômetros e meio de muralha, é plana e se percorre inteiramente a pé — o que a torna uma das cidades italianas mais confortáveis de visitar. A ordem que funciona é subir primeiro às muralhas, para entender a geografia de cima, e depois descer para as ruas.
As muralhas
A cerca renascentista, construída entre 1504 e 1648, tem quatro quilômetros e meio, onze baluartes e nunca foi atacada. No século XIX, a duquesa Maria Luísa de Bourbon mandou plantar árvores no topo e transformou a fortificação num passeio público — e é isso que ela continua sendo.
Dá-se a volta completa em cerca de uma hora a pé ou vinte minutos de bicicleta, sob plátanos centenários, com os telhados da cidade de um lado e as colinas do outro. Alugar uma bicicleta é o programa obrigatório de Lucca, e há dezenas de locadoras junto às portas. É plano, é seguro e é a melhor hora da visita.
Na cidade
Piazza dell'Anfiteatro
Uma praça oval fechada, cercada de casas coloridas com uma única entrada baixa por cada lado. O formato não é decorativo: as casas foram construídas sobre as arquibancadas do anfiteatro romano do século II, aproveitando a estrutura como fundação, e o miolo virou praça. É um dos exemplos mais claros da Europa de como uma cidade medieval reciclou uma ruína.
Torre Guinigi
A torre-jardim: uma torre medieval de 45 metros com sete carvalhos plantados no topo, construída pela família que dominou Lucca no século XV. Sobe-se por 230 degraus e a vista abrange a cidade inteira, as muralhas e as colinas. É a imagem-símbolo da cidade.
A Torre delle Ore, mais alta, tem o relógio ainda com mecanismo manual.
As igrejas
Lucca tem uma densidade rara de arquitetura românica pisano-luquesa, com fachadas de colunatas sobrepostas:
- San Michele in Foro — construída sobre o antigo fórum romano, com uma fachada de quatro níveis de colunas, cada uma diferente, e uma estátua do arcanjo no topo. A fachada é bem mais alta que a nave — foi projetada para uma igreja maior que nunca se completou.
- Duomo de San Martino — com um pórtico assimétrico (o campanário preexistente obrigou a encolher um dos arcos), um labirinto entalhado numa coluna e o Volto Santo, o crucifixo de madeira que a lenda atribui a Nicodemos e que fez de Lucca ponto de peregrinação medieval. Dentro está também o túmulo de Ilaria del Carretto, esculpido por Jacopo della Quercia em 1406 — uma jovem deitada com um cão aos pés, e uma das esculturas funerárias mais delicadas da Itália.
- San Frediano — com um mosaico dourado na fachada, coisa rara na Toscana, e uma pia batismal românica.
Via Fillungo e as ruas
A rua comercial principal, medieval e estreita, com lojas históricas e placas de ferro. Ao redor, o traçado romano ainda legível na malha.
Casa de Puccini
Giacomo Puccini nasceu em Lucca em 1858, e a casa da família é hoje um museu com o piano no qual compôs *Turandot*. A cidade leva isso a sério: há concertos diários com árias de Puccini em igrejas do centro, o ano inteiro.
Fora do óbvio
- Palazzo Pfanner. Um palácio do século XVII com um jardim barroco de estátuas e limoeiros, visível também do alto das muralhas. Quase vazio.
- Villas luquesas. Nas colinas ao redor, as casas de campo que os mercadores de seda construíram entre os séculos XVI e XIX — a Villa Reale di Marlia, a Villa Torrigiani e a Villa Mansi, com jardins notáveis. Exigem carro ou ônibus.
- Garfagnana. O vale ao norte, entre os Apeninos e os Alpes Apuanos, com a Ponte del Diavolo em arco assimétrico, aldeias de pedra e o farro com denominação de origem. É a Toscana que ninguém visita.
- Torre delle Ore e o subsolo dos baluartes. Alguns dos onze baluartes das muralhas têm galerias internas visitáveis.
A comida que define a cidade
Cozinha toscana do interior, com um ingrediente próprio: o farro da Garfagnana, o grão antigo cultivado no vale ao norte. Some os tordelli lucchesi (a massa recheada local), o azeite das colinas de Lucca — dos mais respeitados da Itália — e o buccellato, o pão doce com passas e anis. Detalhes em onde comer em Lucca.
Dicas práticas
- Alugue a bicicleta logo na chegada. A volta nas muralhas é o melhor de Lucca e dura vinte minutos.
- Verifique o calendário: o Lucca Comics & Games, no fim de outubro, é o maior evento do gênero na Europa e transforma a cidade completamente — maravilhoso para quem vai por ele, impraticável para quem não vai.
- As igrejas cobram entrada em parte dos casos, com bilhetes conjuntos que compensam.
- Para montar o dia, veja o roteiro de 1 dia e o guia da Itália.
Perguntas frequentes
O que não pode faltar em Lucca?
A volta nas muralhas de bicicleta, a Piazza dell'Anfiteatro, a subida à Torre Guinigi com os carvalhos no topo e a fachada de San Michele in Foro.
Precisa reservar ingresso em Lucca?
Não. É uma das cidades toscanas em que se resolve tudo na hora, mesmo em alta temporada.
Quantos dias para ver o essencial?
Um dia cheio. Lucca é compacta e plana, e o limite é a vontade de ficar mais, não a lista de atrações. Veja o guia de Lucca.