O que fazer em Gênova: o guia completo
Gênova está espremida entre as montanhas e o mar, numa faixa estreita e comprida, e cresceu para cima. O centro histórico é o maior centro medieval da Europa — cerca de 113 hectares de *caruggi*, os becos genoveses, alguns com menos de um metro de largura, onde o sol não entra. Acima dele, a cidade sobe a encosta em terraços ligados por funiculares e elevadores públicos, que fazem parte do transporte comum.
A visita se organiza em três camadas: os caruggi, os palácios e o porto.
Os caruggi e o centro medieval
Um labirinto que se percorre sem mapa e com alguma desorientação — é exatamente essa a experiência. Entre as ruínas e as fachadas, aparecem:
- Catedral de San Lorenzo, em faixas de mármore preto e branco, com uma bomba naval britânica de 1941 que atravessou o telhado e não explodiu, exposta na nave lateral onde caiu.
- Piazza San Matteo, a praça da família Doria, com quatro palácios e uma igreja listrada, praticamente intacta desde o século XIV.
- Palazzo Ducale, a sede do governo da república.
- Porta Soprana, do século XII, e a casa que a tradição atribui à família de Cristóvão Colombo.
- As botteghe storiche — confeitarias, drogarias e lojas de tripas centenárias, algumas do século XIX, ainda funcionando com o mobiliário original.
Os Palazzi dei Rolli
O conjunto que rendeu à cidade o tombamento da Unesco em 2006, e o que Gênova tem de mais singular no mundo.
No século XVI, a República de Gênova não tinha um palácio real para hospedar visitantes de Estado. Criou-se então uma solução: uma lista oficial (*rollo*) de residências privadas da nobreza, classificadas por categoria, e a cada visita ilustre sorteava-se qual delas receberia o hóspede. O resultado foi uma competição de ostentação entre famílias que durou décadas — cada uma construindo um palácio mais impressionante, com átrio, escadaria monumental, jardim suspenso e afrescos, porque a qualquer momento poderia caber a ela hospedar um rei.
Quarenta e dois desses palácios estão na lista da Unesco, e a maior concentração está na Via Garibaldi (a antiga Strada Nuova), uma rua inteira de palácios do século XVI. Três deles formam os Musei di Strada Nuova:
- Palazzo Rosso — com a coleção de pintura e um terraço com vista sobre os telhados.
- Palazzo Bianco — pintura flamenga, holandesa e espanhola.
- Palazzo Doria Tursi — hoje prefeitura, com o violino Cannone de Paganini, que o violinista genovês legou à cidade.
Nos Rolli Days, duas vezes por ano, dezenas de palácios normalmente fechados abrem gratuitamente ao público.
O porto antigo
O Porto Antico foi remodelado por Renzo Piano — genovês — para as comemorações de 1992, e é onde a cidade se encontra com o mar:
- Acquario di Genova, o maior aquário da Itália e um dos maiores da Europa, com um tanque de golfinhos e um percurso longo. É a atração mais visitada da cidade e a melhor opção com crianças.
- Bigo, o elevador panorâmico giratório, também de Renzo Piano.
- Galata Museo del Mare, o maior museu marítimo do Mediterrâneo, com uma galé reconstruída em tamanho real e uma seção sobre a emigração italiana para as Américas — que passou por este porto e é onde a história genovesa toca a brasileira.
Os mirantes e a cidade alta
- Spianata Castelletto — o terraço com a melhor vista dos telhados e do porto, alcançado por um elevador público art nouveau de 1909, que sai de uma galeria no centro. Custa um bilhete de transporte e é uma das melhores coisas da cidade.
- Righi — o alto da montanha, por funicular, com as fortificações e o parque das muralhas: Gênova tem o segundo maior sistema de muralhas da Europa depois de Constantinopla.
- Boccadasse — uma antiga vila de pescadores engolida pela cidade, com casas coloridas e barcos na praia de seixos, a vinte minutos de ônibus do centro. É onde os genoveses tomam sorvete no fim de tarde.
Fora do óbvio
- Cemitério Monumental de Staglieno. Um dos maiores da Europa, com esculturas funerárias do século XIX de qualidade excepcional — realismo burguês em mármore, com viúvas, comerciantes e a célebre *Caterina Campodonico*, uma vendedora de nozes que economizou a vida inteira para pagar o próprio monumento. Gratuito e quase vazio.
- Nervi — o bairro a leste, com um passeio à beira-mar sobre a rocha e parques com villas e museus.
- Camogli, Portofino e San Fruttuoso — a leste, de trem e barco: uma vila de pescadores, o porto mais fotografado da Itália e uma abadia do século X só acessível por mar ou trilha.
- Museu Diocesano e os tecidos azuis — onde se veem os panos de linho azul (*blu de Genova*) que deram origem ao jeans.
A comida que define a cidade
Gênova é a origem do pesto genovês, e a cidade leva isso muito a sério. Some a focaccia genovese, comida no café da manhã molhada no cappuccino, a farinata de grão-de-bico e a cozinha ligure de ervas e horta. Detalhes em onde comer em Gênova.
Dicas práticas
- Use os elevadores e funiculares públicos. Fazem parte do bilhete de transporte e são a melhor forma de ver a cidade.
- Verifique as datas dos Rolli Days, quando dezenas de palácios fechados abrem gratuitamente.
- De noite, ande pelos eixos principais. Alguns caruggi são desconfortáveis depois do anoitecer.
- O aquário lota nos fins de semana e feriados; compre com horário.
- Para montar os dias, veja o roteiro de 2 dias e o guia da Itália.
Perguntas frequentes
O que não pode faltar em Gênova?
A Via Garibaldi com os Palazzi dei Rolli, uma caminhada perdida pelos caruggi, o elevador de Castelletto para a vista e o Cemitério de Staglieno — que é a visita que mais surpreende.
Precisa reservar ingresso em Gênova?
Só o aquário em fins de semana e feriados. O resto se resolve na hora.
Quantos dias para ver o essencial?
Dois dias cheios. Um terceiro se você quiser Portofino, Camogli ou as Cinque Terre. Veja o guia de Gênova.