O que fazer em Bolonha: o guia completo
Bolonha é compacta, plana e coberta. O centro histórico é um dos maiores da Europa e se percorre inteiramente a pé sob os pórticos — cerca de quarenta quilômetros de arcadas construídas a partir do século XI, quando a universidade atraiu tanta gente que os moradores passaram a expandir os andares superiores sobre a rua, sustentando-os em colunas. Foram tombados pela Unesco em 2021 e são a razão pela qual Bolonha é a única cidade italiana em que a chuva não atrapalha o roteiro.
Principais atrações
Piazza Maggiore e o entorno
O centro cívico, com a Basílica de San Petronio — a quinta maior igreja do mundo, e que seria a maior se a construção não tivesse sido interrompida no século XVI: a fachada continua inacabada até hoje, com a parte de baixo revestida de mármore e o resto em tijolo nu. Dentro há o maior relógio de sol de catedral do mundo, uma linha meridiana de 67 metros traçada no piso por Giovanni Cassini em 1655, que ainda funciona.
Ao lado, a Fonte de Netuno de Giambologna, o Palazzo d'Accursio e o Archiginnasio, primeira sede da universidade, com paredes cobertas por milhares de brasões de estudantes e o Teatro Anatômico de 1637, todo em madeira de abeto, onde se ensinava dissecação sob a vigilância de um inquisidor.
As duas torres
Bolonha teve mais de cem torres medievais, erguidas por famílias nobres como demonstração de poder. Restam cerca de vinte, e as duas mais famosas ficam juntas: a Asinelli, com 97 metros, e a Garisenda, mais baixa e visivelmente inclinada — Dante a cita no *Inferno*.
> A Torre Garisenda está sob obras de estabilização e a área ao redor tem restrições; a subida à Asinelli também passou por períodos de fechamento e opera com reserva de horário e cota limitada. Confirme a situação atual antes de contar com a subida — é a atração de Bolonha cuja disponibilidade mais mudou nos últimos anos.
Santo Stefano — as sete igrejas
Um complexo de edifícios religiosos construídos e reconstruídos entre os séculos V e XIII, encaixados uns nos outros, que reproduzia os lugares santos de Jerusalém para os fiéis que não podiam peregrinar. Chama-se "as sete igrejas" e hoje são quatro, ligadas por pátios românicos. É gratuito, silencioso e o lugar mais bonito da cidade.
O Quadrilatero
O mercado medieval a leste da Piazza Maggiore, ainda organizado por ofício — a rua dos açougueiros, a dos peixeiros, a dos ourives. Bancas de mortadela, queijo, massa fresca e frutas, com balcões onde se come em pé e se bebe uma taça no fim da tarde. É o coração de "la Grassa".
O Pórtico de San Luca
O pórtico mais longo do mundo: 3,8 quilômetros e 666 arcos, subindo da cidade até o Santuário da Madonna di San Luca, no alto da colina. Foi construído no século XVIII para proteger da chuva a procissão anual que desce com o ícone da Virgem. A subida leva cerca de uma hora, é toda coberta, e a vista do alto cobre a cidade e a planície.
A universidade
A Universidade de Bolonha, de 1088, é a mais antiga do mundo ocidental em funcionamento contínuo. O bairro universitário, ao redor da Via Zamboni, é a parte mais viva da cidade à noite, com bares baratos e cartazes políticos nas paredes.
Fora do óbvio
- A janelinha da Via Piella. Uma pequena janela de madeira numa parede que se abre sobre o Canale delle Moline — resto do sistema de canais que fez de Bolonha uma cidade de água e de indústria de seda na Idade Média, hoje quase todo coberto pelas ruas. Gratuito e escondido.
- Santuário de Santa Maria della Vita. Guarda o *Compianto sul Cristo Morto* de Niccolò dell'Arca, um grupo de sete figuras de terracota em tamanho real com expressões de dor tão violentas que a obra é chamada de "o grito de pedra". É uma das esculturas mais impressionantes da Itália e quase ninguém a conhece.
- Biblioteca Salaborsa. No piso de vidro do átrio se veem escavações romanas e medievais sob os seus pés. Entrada livre.
- MAMbo e a Cineteca. A Bolonha contemporânea: museu de arte moderna e uma das cinematecas mais importantes do mundo, com restauro de filmes e o festival Il Cinema Ritrovato.
A comida que define a cidade
Bolonha é a capital gastronômica da Itália e a cidade onde mais nomes conhecidos foram inventados: tagliatelle al ragù (o que o mundo chama erradamente de "à bolonhesa"), tortellini in brodo, lasagne verdi, mortadela. Ao redor estão Parma (presunto e parmigiano), Módena (vinagre balsâmico) e a planície onde se faz tudo isso. Detalhes em onde comer em Bolonha.
Dicas práticas
- Confirme a situação das torres antes de montar o dia.
- O pórtico de San Luca não exige preparo físico, só uma hora de subida constante. Há também um trenzinho turístico e um ônibus.
- Bolonha é a cidade certa para dias de chuva — quarenta quilômetros de pórtico cobrem quase todo o centro.
- Para montar os dias, veja o roteiro de 2 dias e o guia da Itália.
Perguntas frequentes
O que não pode faltar em Bolonha?
A Piazza Maggiore com San Petronio, o complexo de Santo Stefano, o Quadrilatero no fim da tarde e o *Compianto* de Niccolò dell'Arca. Se houver tempo e pernas, a subida a San Luca pelo pórtico.
Precisa reservar ingresso em Bolonha?
Só a subida à Torre degli Asinelli, quando aberta, que trabalha com cota por horário. As demais atrações se resolvem na hora, e várias são gratuitas.
Quantos dias para ver o essencial?
Um dia cheio cobre o centro. Dois permitem San Luca, a universidade e o Quadrilatero com calma. Veja o guia de Bolonha.