Roteiro de 2 dias em Bolonha (dia a dia)
Bolonha é plana, compacta e coberta por quarenta quilômetros de pórticos, o que a torna a cidade italiana mais confortável de percorrer a pé — e a única em que chuva não altera o roteiro. Dois dias cobrem a cidade com folga; o terceiro, se houver, deve ser gasto em Módena ou Parma, que fazem o melhor bate-volta gastronômico da Itália.
Dia 1 — O centro histórico
Manhã. Piazza Maggiore e a Basílica de San Petronio, com a fachada eternamente inacabada e a linha meridiana de 67 metros traçada no piso por Cassini em 1655. Ao lado, o Archiginnasio, primeira sede unificada da universidade, com as paredes cobertas de brasões de estudantes e o Teatro Anatômico de madeira, de 1637.
Passe pelo Santuário de Santa Maria della Vita para ver o *Compianto sul Cristo Morto* de Niccolò dell'Arca — sete figuras de terracota em tamanho real, e uma das esculturas mais impressionantes da Itália.
Meio-dia. Quadrilatero, o mercado medieval ainda organizado por ofício. Coma em pé num balcão: mortadela, um prato de embutidos, uma taça de Pignoletto.
Tarde. As duas torres — confirme antes se a subida à Asinelli está aberta e reserve o horário — e depois o complexo de Santo Stefano, as "sete igrejas" encaixadas umas nas outras, construídas entre os séculos V e XIII para reproduzir os lugares santos de Jerusalém. É gratuito e é o lugar mais bonito da cidade.
Fim de tarde. A janelinha da Via Piella, que se abre sobre o canal escondido, e o aperitivo no Quadrilatero ou no bairro universitário da Via Zamboni.
Dia 2 — San Luca e a cidade alta
Manhã. O Pórtico de San Luca: 3,8 quilômetros e 666 arcos subindo até o Santuário da Madonna di San Luca, no alto da colina. Cerca de uma hora de subida constante, toda coberta. Não exige preparo atlético, exige disposição — e há um trenzinho turístico e um ônibus para quem preferir. A vista do alto cobre a cidade e a planície emiliana.
Tarde. Volte e escolha: o MAMbo (arte moderna) e a Cineteca, se você gosta de cinema — Bolonha tem uma das cinematecas mais importantes do mundo —, ou a Pinacoteca Nazionale, no bairro universitário, com Giotto, Rafael e os Carracci.
Fim de tarde. Mercato delle Erbe ou o bairro do Pratello, para o aperitivo com tigelle e gnocco fritto.
Dia 3 (opcional) — a rota da comida
- Módena, 35 minutos de trem: a catedral românica e a Torre Ghirlandina, o mercado Albinelli, e uma visita a uma acetaia para ver o vinagre balsâmico tradicional envelhecendo em barris. A dez minutos fica o museu Enzo Ferrari.
- Parma, uma hora: o batistério de mármore rosa, o teatro Farnese em madeira, e as visitas a laticínios de parmigiano reggiano — que começam de madrugada, porque é quando se faz o queijo — e a fábricas de presunto de Parma.
- Ravena, 1h20: os mosaicos bizantinos, se o interesse for outro. Veja o guia de Ravena.
Variações
- Um dia só: o dia 1 inteiro. Bolonha cabe bem num dia, e é o melhor bate-volta possível a partir de Florença (35 minutos de trem).
- Chuva: não mude nada. Os pórticos cobrem o centro inteiro e o de San Luca cobre a subida.
- Com criança: o trenzinho até San Luca, o Museu Ferrari em Módena e a Biblioteca Salaborsa, com o piso de vidro sobre escavações romanas.
- Foco em comida: dois dias na cidade, um em Módena e um em Parma. É a melhor semana gastronômica que a Itália oferece.
Logística
Tudo no centro se faz a pé, sob os pórticos. A estação Bologna Centrale fica a quinze minutos a pé da Piazza Maggiore e é um dos maiores nós ferroviários da Itália — Florença em 35 minutos, Milão em uma hora, Veneza em 1h30, Roma em duas horas. O aeroporto se liga à estação pelo Marconi Express em sete minutos.
Detalhes em como se locomover em Bolonha e a escolha do bairro em onde se hospedar. Para o país, o guia da Itália.
Perguntas frequentes
Quantos dias bastam em Bolonha?
Dois para a cidade. Três ou quatro se você quiser incluir Módena e Parma, que é o que transforma a viagem.
Dá para fazer Bolonha como bate-volta de Florença?
Dá, e muito bem: 35 minutos de trem de alta velocidade. É um dos melhores bate-voltas da Itália, sobretudo para almoçar.
Qual a melhor ordem das atrações?
Piazza Maggiore e Archiginnasio de manhã, Quadrilatero no almoço, torres e Santo Stefano à tarde. San Luca fica melhor no segundo dia, de manhã, com a cabeça fresca e as pernas descansadas.