O que fazer em Tours: o guia completo
Tours tem duas escalas de visita: a cidade, que se percorre a pé em meio dia, e o vale do Loire, que ocupa quantos dias você tiver. A cidade fica entre dois rios, o Loire e o Cher, com o centro histórico a oeste e a catedral a leste — vinte minutos separam os dois. Os castelos ficam num raio de uma hora, e a maioria dos importantes tem estação de trem.
Na cidade
Vieux Tours e Place Plumereau
O centro medieval, com casas de enxaimel dos séculos XV e XVI em torno da Place Plumereau — a praça mais fotografada da cidade e o coração da vida estudantil, com mesas na calçada e bares até tarde. Ao redor, a Rue du Grand Marché, a Tour Charlemagne e a Tour de l'Horloge, que são o que restou da antiga basílica medieval de São Martinho.
Catedral Saint-Gatien
Gótica, construída ao longo de quatro séculos, o que faz a fachada ir do gótico ao renascentista de baixo para cima. Guarda vitrais dos séculos XIII a XV entre os melhores conservados da França e o túmulo dos filhos de Carlos VIII e Ana da Bretanha. Ao lado, o Cloître de la Psalette, um claustro do século XV com escada em caracol.
Basílica Saint-Martin
Dedicada a São Martinho de Tours, bispo do século IV e um dos santos mais populares da França — a lenda do soldado que cortou o manto ao meio para dar a um mendigo nasceu aqui. A basílica atual é do século XIX; da medieval sobraram as duas torres isoladas no meio da cidade.
Musée des Beaux-Arts
No antigo palácio arquiepiscopal, ao lado da catedral, com acervo que vai de Mantegna a Delacroix. No pátio, um cedro-do-líbano plantado em 1804 e, num anexo, o esqueleto empalhado de um elefante de circo que morreu na cidade em 1902 — uma excentricidade local que virou instituição.
CCC OD e a margem do Loire
O Centre de Création Contemporaine Olivier Debré, aberto em 2017, é o espaço de arte contemporânea da cidade. Na margem do Loire, no verão, funcionam as guinguettes — bares ao ar livre à beira do rio, com música e mesas na grama, que são a melhor coisa das noites de verão em Tours.
Os castelos do Loire
Esta é a razão principal da viagem. Os mais relevantes a partir de Tours:
- Chenonceau — o castelo sobre o rio Cher, com a galeria de arcos atravessando a água. Foi construído e dirigido por mulheres ao longo de séculos — Diane de Poitiers, Catarina de Médici — e é o mais visitado do vale depois de Chambord. Tem estação de trem, a cerca de 30 minutos.
- Amboise — o castelo real na barranca do Loire, com vista para o rio, e o Clos Lucé a poucos minutos, a casa onde Leonardo da Vinci passou os últimos três anos de vida e morreu, em 1519, a convite de Francisco I. Trem, cerca de 20 minutos.
- Villandry — famoso pelos jardins renascentistas reconstituídos: uma horta ornamental geométrica, um jardim do amor com canteiros em forma de coração e um labirinto. Não tem trem; exige ônibus, excursão ou bicicleta.
- Azay-le-Rideau — pequeno, renascentista, refletido num espelho d'água. Trem, cerca de 30 minutos.
- Chambord — o maior de todos, com 440 cômodos, a escadaria de duplo hélice atribuída a Leonardo e um parque murado do tamanho de Paris intramuros. Fica a mais de uma hora e não tem trem — exige carro ou excursão.
- Langeais, Loches, Chaumont e Ussé completam a lista para quem tem mais dias.
Fora do óbvio
- Loire à Vélo — a rota ciclável que acompanha o rio por centenas de quilômetros, plana e bem sinalizada. Tours é um dos principais pontos de apoio, com aluguel e devolução em outra cidade.
- Vouvray, a poucos quilômetros — as adegas escavadas em tufo, a pedra calcária branca da região, onde se produz o branco de chenin blanc.
- Casas trogloditas — habitações escavadas na rocha ao longo do vale, várias ainda em uso como adega, restaurante ou hotel.
- Guinguettes do Loire, no verão.
A comida que define a cidade
Touraine: rillettes e rillons de porco, fouées (pãezinhos ocos assados em forno a lenha, servidos para rechear na mesa), queijo de cabra Sainte-Maure-de-Touraine, com uma palha de centeio atravessada no meio, e o nougat de Tours, uma torta de frutas cristalizadas. De beber, os brancos de Vouvray e Montlouis e os tintos de Chinon e Bourgueil. Detalhes em Onde comer em Tours.
Dicas práticas
- Dois castelos por dia, no máximo. Cada um pede duas a três horas.
- Chenonceau, Amboise e Azay-le-Rideau têm trem; Chambord e Villandry, não.
- Compre os ingressos dos castelos online em alta temporada — Chenonceau e Chambord formam filas.
- Os jardins são metade do programa: Villandry e Chenonceau valem tanto pelo lado de fora quanto pelo de dentro.
- Para montar os dias, veja o roteiro em Tours.
Perguntas frequentes
O que não pode faltar em Tours?
Chenonceau, Amboise com o Clos Lucé, e uma noite na Place Plumereau. Se você gosta de jardim, Villandry entra na frente de qualquer outro castelo.
Precisa reservar ingresso?
Em alta temporada, sim, para Chenonceau e Chambord. Fora disso, comprar na hora funciona.
Quantos dias para ver o essencial?
Três: um na cidade, dois nos castelos. Veja o guia de Tours e o guia da França.