O que fazer em Reims: o guia completo

Reims tem duas camadas que quase não se tocam: a cidade de superfície, marcada pela catedral e pela reconstrução Art Déco do pós-guerra, e a cidade subterrânea, com dezenas de quilômetros de galerias de giz que servem de adega para o champanhe. Um dia bem montado passa pelas duas — e a lógica é simples: monumentos de manhã, caves à tarde, porque nenhuma visita a cave termina sem degustação.

Principais atrações

Catedral de Notre-Dame de Reims

Aqui foram coroados mais de vinte e cinco reis da França, entre 1027 e 1825 — a tradição vinha do batismo de Clóvis, o primeiro rei franco, ocorrido em Reims por volta do ano 496. A catedral gótica do século XIII tem uma fachada com mais de duas mil esculturas, entre elas o Anjo do Sorriso, que virou símbolo da cidade depois de ser decapitado por um bombardeio em 1914 e reconstituído.

Bombardeada e incendiada na Primeira Guerra, foi restaurada ao longo de décadas com apoio internacional. Na capela axial, os vitrais de Marc Chagall, instalados em 1974, em azul profundo. Entrada gratuita; a subida às torres é paga e sazonal.

Palais du Tau

O palácio arquiepiscopal ao lado da catedral, onde os reis se vestiam antes da sagração e banqueteavam depois. Guarda o tesouro da catedral, as vestes de coroação e esculturas originais retiradas da fachada. Faz parte do conjunto inscrito pela UNESCO em 1991, junto com a catedral e a basílica.

Basílica e Museu Saint-Rémi

A basílica românica do século XI, ampliada em gótico, abriga o túmulo de São Remígio, o bispo que batizou Clóvis. É maior que a catedral e recebe uma fração dos visitantes. O museu ao lado, num antigo convento, cobre a história da região desde a pré-história.

As caves de champanhe

O subsolo de Reims é atravessado por crayères — poços e galerias de giz escavados pelos romanos para extrair pedra de construção, reaproveitados no século XIX como adegas. A temperatura constante e a umidade os tornam perfeitos para envelhecer garrafas. Várias grandes casas abrem à visita: as mais conhecidas ficam no eixo sul da cidade, em torno do bairro de Saint-Nicaise.

Uma visita típica dura cerca de uma hora e meia: história da casa, descida às galerias, explicação do método tradicional — segunda fermentação na garrafa, *remuage*, *dégorgement* — e degustação de um a três champanhes conforme a fórmula escolhida. Reserve com antecedência; as vagas em alta temporada esgotam.

Sala da Rendição

Numa escola técnica perto da estação funcionava o quartel-general de Eisenhower. Foi ali que, em 7 de maio de 1945, a Alemanha nazista assinou a rendição incondicional. A sala foi mantida exatamente como estava, com os mapas de operações nas paredes. É um dos lugares mais impressionantes da cidade e um dos menos visitados.

Fora do óbvio

Épernay e a rota do champanhe

A 25 minutos de trem, Épernay tem a Avenue de Champagne, uma rua com as maiores maisons enfileiradas e mais de cem quilômetros de galerias sob o asfalto. A poucos quilômetros dali, Hautvillers, a abadia onde trabalhou Dom Pérignon, o monge do século XVII a quem se atribui o aperfeiçoamento do método — a lenda de que ele "inventou" o champanhe é exagerada, mas o trabalho dele com assemblagem e clarificação foi decisivo.

A comida que define a cidade

Biscuit rose de Reims — o biscoito rosado e seco, feito desde o século XVII para ser mergulhado no champanhe sem esfarelar. Jambon de Reims, presunto cozido em terrina; queijos chaource e langres; e o ratafia, o aperitivo feito com mosto de uva e aguardente. Detalhes em Onde comer em Reims.

Dicas práticas

Perguntas frequentes

O que não pode faltar em Reims?

A catedral com os vitrais de Chagall, uma visita a uma cave de giz e — se você gosta de história — a Sala da Rendição.

Precisa reservar ingresso?

Para as caves, obrigatoriamente. Para os monumentos, não.

Quantos dias para ver o essencial?

Um dia bem organizado; dois se incluir Épernay. Veja o guia de Reims e o guia da França.