O que fazer em Assis: o guia completo
Assis é construída na encosta do Monte Subasio, e isso define a visita: a cidade é uma sequência de terraços ligados por ruas em ladeira e escadarias, com a Basílica de São Francisco numa ponta, a Basílica de Santa Chiara na outra e a Piazza del Comune no meio. São cerca de vinte minutos de caminhada de uma basílica à outra, quase toda em subida ou descida.
Um dia cheio cobre tudo. E há uma regra que vale a pena seguir: os ônibus de excursão chegam por volta das 10h e partem às 17h.
Basílica de São Francisco
Construída a partir de 1228, dois anos depois da morte do santo e no mesmo ano de sua canonização, sobre uma colina que era o local de execuções da cidade — chamada de Colle dell'Inferno e rebatizada Colle del Paradiso. É patrimônio da Unesco e o coração do franciscanismo.
São três níveis:
- A cripta, com o túmulo de São Francisco, redescoberto em 1818 depois de séculos escondido para proteger as relíquias.
- A Basílica Inferior, escura, baixa e abobadada, com afrescos de Cimabue, Simone Martini e Pietro Lorenzetti. É a mais atmosférica das duas.
- A Basílica Superior, alta, gótica e luminosa, com o ciclo de 28 afrescos sobre a vida de São Francisco, atribuído em grande parte a Giotto e pintado por volta de 1290. É um dos momentos fundadores da pintura ocidental: pela primeira vez em séculos, figuras com volume, rostos com expressão e cenas ambientadas em espaços reconhecíveis.
O terremoto de 1997 derrubou parte das abóbadas da Basílica Superior, destruindo afrescos de Cimabue e matando quatro pessoas. A restauração levou dois anos e é um dos trabalhos de restauro mais complexos já realizados — fragmentos foram recolhidos e remontados como um quebra-cabeça de centenas de milhares de peças.
A entrada é gratuita. Ombros e joelhos cobertos, silêncio, e fotografia proibida no interior.
Basílica de Santa Chiara
Do outro lado da cidade, em pedra rosa e branca com contrafortes gigantescos. Guarda o corpo de Santa Clara, a jovem nobre de Assis que fugiu de casa em 1212 para seguir Francisco e fundou a ordem das clarissas, e o Crucifixo de San Damiano — a cruz pintada diante da qual Francisco teria ouvido a ordem de "reparar a minha Igreja".
Gratuita.
O centro
- Piazza del Comune — a praça central, com o Templo de Minerva, um templo romano do século I a.C. com seis colunas coríntias, convertido em igreja e preservado inteiro na fachada. Goethe passou por Assis em 1786 e se interessou apenas por ele, ignorando as basílicas.
- Duomo de San Rufino — a catedral românica onde Francisco e Clara foram batizados, com a pia batismal ainda no lugar.
- Chiesa Nuova — construída sobre a casa onde Francisco teria nascido.
A cidade alta
A Rocca Maggiore, a fortaleza no ponto mais alto, alcançada por uma subida íngreme. A vista abrange Assis inteira, o vale da Úmbria e, em dias claros, Perugia ao longe. Paga, e vale.
Fora das muralhas
- Eremo delle Carceri. A quatro quilômetros, subindo o Monte Subasio: o eremitério onde Francisco e os primeiros companheiros se retiravam, com grutas na rocha, um carvalho milenar e um bosque de azinheiras. É pequeno, silencioso e gratuito, e é o lugar que mais se aproxima da experiência que ele descreveu. Chega-se a pé (uma hora de subida forte) ou de carro e táxi.
- San Damiano. A igrejinha abaixo das muralhas onde Francisco recebeu o chamado e onde Clara viveu e morreu. Vinte minutos de descida a pé, gratuita, e quase vazia.
- Santa Maria degli Angeli. No vale, uma basílica barroca gigantesca construída em volta da Porciúncula — a capelinha do século IX que Francisco restaurou com as próprias mãos e onde a ordem franciscana nasceu. Ver a capela minúscula dentro da nave imensa é uma das imagens mais estranhas e mais eloquentes da Itália. É também onde fica a estação de trem.
A comida que define a cidade
A Úmbria é a terra da trufa negra, do porco de Norcia, do azeite e dos vinhos de Montefalco. É uma cozinha de interior, sem litoral, com carne, caça e cogumelo. Detalhes em onde comer em Assis.
Dicas práticas
- Ombros e joelhos cobertos, aplicado com rigor nas basílicas.
- As basílicas são gratuitas. Só a Rocca Maggiore e os museus cobram.
- Vá antes das 10h ou depois das 17h, quando as excursões não estão.
- Calçado firme: Assis é ladeira e escadaria de pedra polida.
- Evite 4 de outubro e a Páscoa se não for pela ocasião — a cidade fica impraticável.
- Para montar o dia, veja o roteiro de 1 dia e o guia da Itália.
Perguntas frequentes
O que não pode faltar em Assis?
A Basílica de São Francisco, com os três níveis e os afrescos de Giotto, o Templo de Minerva na Piazza del Comune e — se houver tempo — o Eremo delle Carceri, que é onde a cidade faz mais sentido.
Precisa reservar ingresso em Assis?
Não. As basílicas são gratuitas e não exigem reserva. Só grupos precisam agendar.
Quantos dias para ver o essencial?
Um dia cheio. Duas noites se você quiser o Eremo delle Carceri e a cidade sem excursões. Veja o guia de Assis.