O que fazer em Paris: o guia completo
Paris se organiza em vinte *arrondissements* numerados em espiral, do 1º no centro ao 20º na borda leste — e a lógica de visita mais eficiente é tratar cada dia como um setor dessa espiral. A cidade é compacta para os padrões de capital europeia, mas as distâncias enganam: do Louvre a Montmartre são cinco quilômetros e um desnível considerável. Agrupe por região, ande a pé dentro de cada uma e use o metrô só para pular de uma área à outra.
Principais atrações por bairro
1º e 2º — Louvre, Tuileries e Palais-Royal
O Louvre é o museu mais visitado do mundo e pede reserva de horário mesmo em baixa temporada. Uma advertência prática para o viajante brasileiro: desde janeiro de 2026, o museu cobra entrada mais cara de visitantes de fora do Espaço Econômico Europeu — cerca de €32, contra €22 do bilhete europeu. Reserve pelo site oficial, entre por um acesso alternativo à Pirâmide (Porte des Lions e Carrousel costumam ter fila menor) e escolha duas ou três alas em vez de tentar ver tudo.
Ao lado, o Jardin des Tuileries e as galerias do Palais-Royal, com as colunas listradas de Daniel Buren no pátio — gratuito e sempre mais vazio do que merece.
4º — Île de la Cité, Marais e Notre-Dame
A Catedral de Notre-Dame reabriu em dezembro de 2024, depois de cinco anos e meio de restauração, e as torres voltaram a receber visitas em setembro de 2025 num percurso novo. A entrada na nave é gratuita, mas exige reserva de horário online; a subida às torres é paga e vendida apenas pela internet, pelo Centre des Monuments Nationaux. Nos primeiros domingos do mês, de novembro a março, as torres são gratuitas — com reserva.
Ainda na ilha, a Sainte-Chapelle guarda o conjunto de vitrais do século XIII mais impressionante da Europa: quinze janelas de quinze metros que transformam a capela superior num cilindro de luz colorida. Vá num dia de sol e no meio da manhã.
O Marais é o bairro para caminhar sem roteiro: mansões dos séculos XVII e XVIII, a Place des Vosges (a praça mais antiga de Paris), o Museu Picasso, o antigo bairro judaico da Rue des Rosiers e uma vida noturna que ignora o calendário — é a área que mais abre aos domingos.
5º e 6º — Quartier Latin e Saint-Germain-des-Prés
O Panthéon, a Sorbonne, os Jardins de Luxemburgo e a livraria Shakespeare and Company se concentram aqui. O Luxemburgo é o melhor parque da cidade para não fazer nada: cadeiras verdes soltas pelo gramado, um lago onde crianças empurram barquinhos e nenhuma cobrança.
7º — Torre Eiffel, Orsay e Invalides
O Musée d'Orsay, instalado numa estação ferroviária de 1900, concentra o maior acervo de impressionismo do mundo — Monet, Renoir, Van Gogh, Degas. É o museu que a maioria acaba preferindo ao Louvre. Entrada gratuita para todos no primeiro domingo do mês, com reserva obrigatória e vagas que somem em dias.
A Torre Eiffel tem três níveis; o topo, de elevador, sai por volta de €28 por adulto. Subir de escada até o segundo andar custa bem menos e é mais interessante. Se o objetivo for a foto da torre inteira, o lugar é o Trocadéro, do outro lado do rio, de manhã cedo.
8º e 9º — Champs-Élysées, Arco do Triunfo e Ópera
O Arco do Triunfo tem terraço com uma das melhores vistas da cidade — e, ao contrário da Torre Eiffel, a torre aparece na foto. O Palais Garnier, a ópera de 1875, abre para visita autoguiada e o teto pintado por Chagall justifica sozinho o ingresso.
18º — Montmartre
A colina do Sacré-Cœur e as ruas ao redor. A basílica é gratuita; o funicular aceita bilhete de metrô. Fuja da Place du Tertre no meio do dia, que virou armadilha de retratista, e ande pelas ruas laterais — Rue Lepic, Rue des Abbesses, o vinhedo do Clos Montmartre.
Fora do óbvio
- Père-Lachaise (20º). O cemitério mais visitado do mundo é, na prática, um parque de 44 hectares com árvores centenárias e mausoléus do século XIX. Entrada gratuita.
- Canal Saint-Martin (10º). Passarelas de ferro, eclusas e o hábito parisiense de sentar na beira com uma garrafa no fim da tarde. É onde a cidade parece menos cenário.
- Musée Jacquemart-André e Musée Nissim de Camondo (8º e 17º). Duas casas de colecionadores do século XIX preservadas como eram. Acervo excelente, filas inexistentes.
- Coulée verte René-Dumont (12º). Um parque linear de quatro quilômetros sobre um viaduto ferroviário desativado — inaugurado em 1993, inspirou o High Line de Nova York.
> O Centre Pompidou está fechado para uma reforma completa desde o fim de 2025 e a reabertura está prevista para 2030. Parte do acervo circula por instituições parceiras no programa Constellation — confira o que está em cartaz antes de incluir arte moderna no roteiro.
A comida que define a cidade
Paris não tem uma cozinha própria: tem todas as da França concentradas, mais as das antigas colônias. O que a define é o formato — o bistrô com giz na lousa, a *formule* do almoço, o café no balcão, a padaria onde se compra a *baguette tradition* no caminho de casa. Comer bem aqui é menos questão de encontrar o restaurante certo e mais de comer na hora certa. Para aprofundar, veja Onde comer em Paris.
Dicas práticas
- Reserve online: Louvre, Orsay, Sainte-Chapelle, Notre-Dame (nave e torres) e Torre Eiffel trabalham com horário marcado. Em maio–setembro, com semanas de antecedência.
- Dia de fechamento: o Louvre fecha às terças; Orsay e o Musée Rodin fecham às segundas. Checar isso antes de montar o dia poupa muita frustração.
- Primeiro domingo do mês: vários museus nacionais são gratuitos, com reserva obrigatória.
- Batedores de carteira: existem, e trabalham em metrô lotado, na saída do Louvre e no Trocadéro. Mochila na frente do corpo em plataforma cheia resolve quase tudo.
- Para montar os dias, veja o roteiro de 4 dias em Paris.
Perguntas frequentes
O que não pode faltar em Paris?
Orsay, Notre-Dame reaberta, Sainte-Chapelle e uma tarde inteira andando pelo Marais sem plano. A Torre Eiffel vale ser vista; subir nela é opcional e o Arco do Triunfo dá vista melhor por menos.
Precisa reservar ingresso com antecedência?
Sim para Louvre, Orsay, Sainte-Chapelle, Torre Eiffel e Notre-Dame — todos com horário marcado. Entre maio e setembro, reserve com semanas de antecedência; fora de temporada, alguns dias bastam.
Quantos dias para ver o essencial?
Quatro. Com cinco ou seis dá para incluir Versalhes num bate-volta e ainda sobrar uma tarde livre. Veja o guia de Paris e o guia da França.