O que fazer em Como: o guia completo
O Lago de Como tem a forma de um Y invertido: uma perna ao norte, e duas descendo — a de Como, a sudoeste, e a de Lecco, a sudeste. O ponto onde as três se encontram, o chamado triângulo central entre Bellagio, Varenna e Menaggio, é o trecho mais bonito e onde se concentram as melhores vilas e travessias.
Isso define a lógica de visita: a cidade de Como resolve-se em meia manhã, e o programa de verdade é subir o lago de barco.
A cidade de Como
O Duomo
A catedral levou quase quatro séculos para ficar pronta, entre 1396 e 1770, o que a torna um documento de três estilos: fachada e nave góticas, transepto renascentista e uma cúpula barroca tardia de Filippo Juvarra. É um dos poucos edifícios na Europa em que essa transição se vê inteira, num prédio só.
Na fachada, ladeando a porta, estão as estátuas de Plínio, o Velho, e Plínio, o Jovem — dois autores romanos pagãos, nascidos em Como, homenageados na frente de uma catedral católica. É uma excentricidade rara e diz muito sobre o orgulho cívico da cidade.
Brunate e o funicular
O funicular de 1894 sobe em sete minutos os 500 metros de desnível até Brunate, a vila no alto da montanha. Do mirante se vê o lago inteiro, a cidade abaixo e, em dias claros, os Alpes. É o melhor programa da cidade de Como e custa preço de transporte público. De lá saem trilhas, incluindo a que leva ao Farol Voltiano, o farol construído em homenagem a Alessandro Volta.
O resto da cidade
O Tempio Voltiano, o museu neoclássico dedicado a Volta — que nasceu em Como e deu nome ao volt —, com instrumentos originais. A Basílica de Sant'Abbondio, românica do século XI, com afrescos no ábside, um pouco afastada e vazia. As muralhas medievais e a Porta Torre. E o passeio à beira-lago, com o monumento aos caídos e a vista das montanhas.
O lago
Villa del Balbianello (Lenno)
Um convento do século XVIII transformado em vila, sobre um promontório com vista para os dois braços do lago. O jardim em terraços, com plátanos podados em formas geométricas e uma loggia sobre a água, é o mais fotografado do lago — e apareceu em *Star Wars: Episódio II* e num filme de James Bond. Chega-se de barco ou por uma caminhada a partir de Lenno.
Villa Carlotta (Tremezzo)
Uma vila do século XVII com um jardim botânico de 70 mil metros quadrados, famoso pelos azaleias e rododendros que florescem entre abril e maio — que é o momento exato para visitá-la. Dentro há esculturas de Canova e Thorvaldsen.
Villa Melzi (Bellagio)
Jardins em estilo inglês à beira d'água, com um jardim japonês e uma sequência de plátanos centenários. Menos concorrida que as outras duas e, para muita gente, a mais agradável de percorrer.
Bellagio
A vila na ponta do promontório onde os três braços se encontram, chamada de "a pérola do lago". Escadarias de pedra entre casas coloridas, lojas de seda e uma orla de restaurantes. É bonita e é o ponto mais cheio do lago entre 10h e 17h — vá cedo ou fique para a noite.
Varenna
Do outro lado, na margem leste. Menor, mais tranquila e para muita gente mais bonita que Bellagio, com a Passeggiata degli Innamorati, uma passarela suspensa sobre a água ligando o embarcadouro ao centro, e os jardins da Villa Monastero. Tem estação de trem própria com ligação direta a Milão, o que a torna a base mais prática do lago.
Menaggio e Cernobbio
Menaggio, na margem oeste, é a terceira ponta do triângulo, com boa infraestrutura e preços razoáveis. Cernobbio, perto de Como, abriga a Villa d'Este, um dos hotéis mais famosos do mundo — visitável apenas para hóspedes e clientes do restaurante.
Fora do óbvio
- Villa Erba e o percurso das vilas de Cernobbio, a poucos quilômetros de Como, alcançável a pé pela orla.
- Greenway del Lago, uma trilha sinalizada de cerca de 10 km entre Colonno e Cadenabbia, passando por vilarejos, olivais e vilas históricas. Gratuita e quase vazia.
- Abadia de Piona, no extremo norte do braço leste: um mosteiro cisterciense do século XII com um claustro românico à beira d'água, onde os monges ainda produzem licores.
- Bellano e a Orrido, um desfiladeiro estreito com passarelas suspensas sobre a água corrente.
- Como, cidade da seda. O Museo della Seta conta a história da indústria que ainda produz para as grandes marcas europeias.
A comida que define a região
Peixe de lago, que é uma cozinha própria: perca empanada servida com risoto, missoltini (peixes secos ao sol e prensados, servidos com polenta), lavarelo. Da Valtellina vizinha vêm os pizzoccheri, a massa de trigo sarraceno com batata, couve e queijo. Detalhes em onde comer em Como.
Dicas práticas
- O barco é o programa, não o meio de transporte. Reserve tempo para ele.
- Vá às vilas cedo. Balbianello e Carlotta enchem depois das 11h.
- Villa Carlotta em abril e maio, quando as azaleias estão floridas.
- Verifique os horários de barco com antecedência: fora da temporada a frequência cai muito.
- Para montar os dias, veja o roteiro de 2 dias e o guia da Itália.
Perguntas frequentes
O que não pode faltar no Lago de Como?
Uma travessia de barco pelo triângulo central, a Villa del Balbianello e o funicular de Brunate. Se a viagem for em abril ou maio, a Villa Carlotta com os jardins floridos.
Precisa reservar alguma coisa?
As vilas históricas não costumam exigir reserva, mas fecham em dias específicos e fora de temporada. Hospedagem, com muita antecedência para junho a setembro.
Bellagio ou Varenna?
Varenna é menor, mais tranquila, mais barata e tem trem direto para Milão. Bellagio é mais famosa e mais movimentada. Como base, Varenna; como passeio, as duas, que ficam a quinze minutos de barco uma da outra. Veja o guia de Como.