O que fazer em Chamonix: o guia completo

Em Chamonix a lógica de visita não é por bairro, é por altitude. O vale fica a cerca de mil metros; os teleféricos sobem a 2.000, 2.500 e quase 3.900. Cada nível tem seu clima, sua vista e sua janela de tempo bom — e a regra que organiza tudo é conferir a previsão e o boletim das montanhas na noite anterior, porque um dia com nuvem baixa transforma um teleférico caríssimo numa parede branca.

Principais atrações por altitude

Aiguille du Midi — 3.842 m

O teleférico mais famoso dos Alpes, inaugurado em 1955 e por décadas o de maior desnível vertical do mundo: sai do centro de Chamonix e chega à agulha de granito em duas etapas e cerca de vinte minutos. No topo há terraços, um elevador até o pico e o "Pas dans le Vide", uma caixa de vidro suspensa sobre mil metros de vazio. A vista alcança o Mont Blanc, o Cervino e o Grand Paradis.

No verão, a gôndola Panoramic Mont-Blanc continua daqui até a Pointe Helbronner, do lado italiano, atravessando a geleira do Gigante — trinta minutos suspensos sobre gelo, um dos trajetos mais espetaculares da Europa.

Atenção à altitude: são quase 3.900 metros alcançados em vinte minutos. Suba devagar, não corra escadas e desça se sentir tontura ou falta de ar. Leve casaco mesmo em agosto: lá em cima a temperatura fica abaixo de zero.

Mer de Glace — 1.913 m

O trem cremalheira de Montenvers, em operação desde 1908, sobe do centro até o mirante sobre a Mer de Glace, a maior geleira da França. Uma gôndola leva à gruta de gelo escavada no glaciar, refeita todos os anos porque o gelo se move.

E há aqui uma lição que nenhuma foto transmite: a geleira recuou centenas de metros nas últimas décadas, e as escadas que descem até ela ganham degraus a cada poucos anos. Placas ao longo do percurso marcam onde estava o gelo em cada década. É a atração mais didática sobre mudança climática que existe nos Alpes.

Le Brévent e La Flégère — 2.000 a 2.500 m

Do lado oposto do vale, na cadeia das Aiguilles Rouges, ficam os mirantes que olham para o Mont Blanc — e por isso dão as melhores fotos do maciço. O teleférico do Brévent sai do centro; o de La Flégère, de Les Praz. Entre os dois há um trajeto de altitude de cerca de duas horas, plano para os padrões alpinos.

Trilhas

Esqui

Chamonix não é uma estação única, e sim um vale com vários domínios: Grands Montets (Argentière), Brévent-Flégère, Le Tour-Balme e Les Houches. A reputação vem do fora de pista e do alpinismo de esqui — a Vallée Blanche, uma descida de mais de vinte quilômetros sobre geleira desde a Aiguille du Midi, exige guia obrigatoriamente e não é passeio para iniciante.

Fora do óbvio

A comida que define a cidade

A da Sabóia: tartiflette, fondue, raclette, diots, crozets, queijos de altitude — reblochon, beaufort, abondance. O melhor cenário para comê-los são os refúgios de montanha, alcançáveis a pé ou de teleférico, onde a comida é simples e a varanda vale o dia. Detalhes em Onde comer em Chamonix.

Dicas práticas

Perguntas frequentes

O que não pode faltar em Chamonix?

A Aiguille du Midi num dia claro e a Mer de Glace. Se tiver um terceiro dia, uma caminhada no Grand Balcon Sud, que dá a vista frontal do maciço.

Precisa reservar?

Horário para a Aiguille du Midi em alta temporada, sim. Guia para a Vallée Blanche e para qualquer atividade em geleira, obrigatoriamente.

Quantos dias para ver o essencial?

Três, para ter margem contra o mau tempo. Veja o guia de Chamonix e o guia da França.