O que fazer em Carcassonne: o guia completo

Carcassonne são duas cidades separadas por um rio. Em cima da colina está a Cité, a fortaleza medieval murada; embaixo, do outro lado do Aude, está a Bastide Saint-Louis, a cidade baixa em traçado ortogonal do século XIII, onde os moradores vivem. Praticamente todo visitante conhece só a primeira, e essa é a origem de quase todos os problemas: multidão, preço e comida ruim se concentram lá dentro entre 11h e 18h.

Principais atrações

A Cité — as muralhas

Três quilômetros de muralha dupla com 52 torres, num sítio fortificado desde a época romana e depois pelos visigodos, pelos condes de Carcassonne e pela coroa francesa, que o transformou em fortaleza de fronteira com Aragão no século XIII. Perdeu função militar quando a fronteira mudou, em 1659, e virou ruína — chegou a haver decreto de demolição no século XIX, revogado depois de campanha pública. A restauração de Viollet-le-Duc, iniciada em 1853, salvou o conjunto e ao mesmo tempo o alterou: os telhados cônicos de ardósia são invenção dele, mais parecidos com os do norte da França que com a tradição local.

**Andar entre as duas muralhas — as *lices* — é gratuito** e é a melhor forma de entender a escala do lugar.

Château Comtal

O castelo dos condes, dentro da Cité, é a parte paga e a que dá acesso ao caminho de ronda sobre as muralhas — a vista de cima, para a cidade baixa e para os Pirineus ao longe, vale o ingresso. A visita inclui uma exposição sobre a restauração do século XIX e sobre a arqueologia do sítio.

Basílica Saint-Nazaire

Dentro das muralhas, uma igreja que começou românica no século XI e ganhou um coro gótico no XIII, com vitrais dos séculos XIII e XIV entre os mais antigos do sul da França. Entrada gratuita e quase sempre vazia, mesmo com a rua principal lotada a cem metros dali.

Bastide Saint-Louis — a cidade baixa

Fundada em 1260 por Luís IX depois de a população ter sido expulsa da Cité, é uma cidade em grelha, com uma praça central — a Place Carnot — onde acontece o mercado às terças, quintas e sábados pela manhã. É onde estão os restaurantes com preço de verdade, as padarias, os cafés e a vida cotidiana. Ligada à Cité pelo Pont Vieux, do século XIV, numa caminhada de vinte minutos com a melhor vista da fortaleza.

Canal du Midi

O canal do século XVII passa ao lado da estação de trem, ladeado de plátanos. Dá para caminhar, pedalar ou fazer um passeio curto de barco. É um Patrimônio Mundial à parte, e quase ninguém que vem pela Cité repara nele.

Fora do óbvio

Os castelos cátaros

A cerca de uma hora de carro estão as fortalezas de penhasco associadas ao catarismo, o movimento cristão dissidente perseguido pela cruzada albigense no século XIII: Lastours (quatro torres numa crista), Peyrepertuse, Quéribus, Montségur, Puilaurens. São ruínas em posições espetaculares, com acesso a pé por trilhas curtas e íngremes. Exigem carro e um dia inteiro — e são a razão pela qual vale ficar duas noites.

A comida que define a cidade

Cassoulet, e a disputa é séria: Castelnaudary, Carcassonne e Toulouse reivindicam a paternidade do prato, e a versão de Carcassonne tradicionalmente levava perdiz. Ao lado dele, os tintos do Minervois e do Cabardès, e a Blanquette de Limoux — produzida a poucos quilômetros e documentada desde 1531, o que faz dela, segundo a tradição local, o espumante mais antigo do mundo, anterior ao champanhe. Detalhes em Onde comer em Carcassonne.

Dicas práticas

Perguntas frequentes

O que não pode faltar em Carcassonne?

O caminho de ronda do Château Comtal, a caminhada gratuita entre as muralhas e a Cité depois do anoitecer, quando ela finalmente esvazia.

Precisa reservar ingresso?

Em julho e agosto, o Château Comtal trabalha com horário marcado e vale reservar. Fora disso, não.

Quantos dias para ver o essencial?

Um. Dois se você for aos castelos cátaros. Veja o guia de Carcassonne e o guia da França.